Em 2019, após o divisivo lançamento e diversos julgamentos de ser apenas um jogo tedioso, Death Stranding ganhou um novo significado no ano seguinte ao lançamento com a pandemia de Covid-19 tomando toda humanidade e fazendo com que as pessoas se isolassem nas próprias casas, de forma semelhante aos Preppers do game. Agora, seis anos depois, Hideo Kojima, criador do jogo, volta a refletir e contou como a pandemia afetou Death Stranding 2: On the Beach.
Death Stranding se passa em um mundo de isolamento e solidão após um desastre sobrenatural que alterou toda a vida humana. Kojima contou que teve a sensação real de viver o jogo pela divisão do mundo que estava ocorrendo no período de lançamento do game original, que coincidiu com o Brexit e meses depois o começo da pandemia. “Lançamos o Death Stranding antes da pandemia de Covid-19, quando o mundo estava caminhando para o isolamento e a divisão – como no caso do Brexit. A ideia por trás disso era ‘Vamos nos conectar. Enfrentaremos um desastre se não nos conectarmos’. O tema, a história e a jogabilidade do primeiro capítulo giravam em torno dessa ideia”, disse Kojima.
Com forte foco narrativo nas conexões humanas, Death Stranding fala muito sobre o distanciamento e como a tecnologia intefere nas relações cotidianas — algo ainda mais explorado no segundo jogo. No entanto, durante o período pandêmico, quando todos estavam isolados, a internet, redes sociais e o metaverso se demonstraram uma forma de conexão não muito aprovada por Kojima e foi neste momento que Death Stranding 2: On the Beach mudou por completo.
“Tudo estava convergindo para o metaverso. Você ligava a TV e todos falavam sobre como estávamos na era do metaverso, onde não havia necessidade de interagir fisicamente com as pessoas. Eu achava que estávamos indo na direção errada. A comunicação entre os seres humanos não deveria ser assim. Você conhece pessoas por acaso e vê coisas inesperadas. Com o caminho que estávamos seguindo, tudo isso se perderia.
“O mais estranho foi que, depois de criar um jogo com o tema ‘vamos nos conectar em vez de nos isolar’, veio a pandemia, e eu comecei a pensar: ‘Talvez conectar-se tanto não seja uma coisa tão boa’. Então, voltamos à teoria do ‘bastão e corda’ [de Death Stranding] novamente. Há muita antecipação desse tema no jogo, e tenho certeza de que muitas pessoas entenderão o que eu quis dizer com chegar ao fim da experiência. Por exemplo, há um personagem que expressará os mesmos sentimentos que eu senti durante a pandemia.
“No logotipo do primeiro Death Stranding, os fios começavam na parte inferior e o tema geral era ‘vamos nos conectar’. No entanto, em Death Stranding 2: On the Beach, os fios do logotipo vêm de cima para baixo e lembram um pouco [os fios do titereiro] do logotipo do Poderoso Chefão. Mesmo dentro do jogo, você verá fios que partem de muitas pessoas e vão para cima, como Dollman e os soldados robóticos. Tudo isso são pistas. Quando você realmente começa a pensar sobre o que significa se conectar, começa a fazer perguntas. Mas isso é tudo o que vou dizer por enquanto. Jogue o jogo quando ele for lançado em junho para saber mais!
“Sei que todos vivenciaram a pandemia, então acho que certos sentimentos parecerão familiares para muitos, embora eu não tenha certeza absoluta. Não estou dizendo que o metaverso é maligno, mas vocês vieram até aqui e jogaram o jogo por quatro dias. Hoje, algo como isso normalmente só aconteceria on-line.”
Embora a conexão seja vista como algo positivo dentro do game, uma das maiores questões do jogo é se realmente deveríamos ter nos conectado? Contudo, em determinado momento da campanha de divulgação de Death Stranding 2, a questão se tornou uma resposta: “não deveríamos ter nos conectado”. Kojima explicou a mudança no questionamento que a obra faz.
“Já falei sobre o tema ‘não deveríamos ter nos conectado’ antes, e também falei sobre a teoria do bastão e da corda em Death Stranding no passado. Hoje, embora o mundo esteja conectado por meio de uma corda, que conhecemos como mundo online, as pessoas ainda jogam jogos em que usam o ‘bastão’, atirando umas nas outras. É por isso que eu queria criar um jogo em que você usasse uma corda acima de tudo, e esse era o Death Stranding.
“Há tantos conflitos no mundo de hoje. No final, conectar-se com a corda não é a solução para tudo. Higgs [Monaghan] lhe dirá algo semelhante no jogo: para se conectar, você também precisa de um bastão. Quanto mais você avançar no jogo, melhor entenderá o que Higgs quer dizer. Esse é um dos motivos pelos quais eu disse ‘não deveríamos ter nos conectado’, e não se trata apenas do aspecto do jogo, é também uma reflexão ao nível social.”
Death Stranding 2: On the Beach traz muitas reflexões sobre sociedade, grandes corporações, IAs e guerra, no entanto, para saber das respostas para essas questões, você terá que jogar o game que já está disponível para PlayStation 5.
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Créditos Autor: Vitor Conceição
Créditos Imagens: Reprodução Internet
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