Spirit of the North 2, nova aposta do Infuse Studio, chega quase seis anos após seu antecessor. Dessa vez com um mundo mais amplo e novos desafios, o novo game possui certas similaridades com o título de 2019, incluindo os erros. Na verdade, algumas críticas feitas ao primeiro jogo parece que não foram ajustadas nesta sequência, que sofre com os mesmos problemas relacionados a iluminação e travamentos. As grandes inclusões relacionadas ao lado mais mítico da histórica e expansão do mundo não foram o suficiente para encobrir tais erros.
Testado em Xbox Series S para a realização da review, Spirit of the North 2 também está disponível para PC, PS5 e Xbox Series X|S.
Uma história simples, mas simbólica
A história em Spirit of the North 2 apresenta uma sociedade que venerava guardiões místicos representados por animais: a raposa, o corvo, o cervo, o carneiro, os lobos da lua e do sol e o urso. No entanto, uma guerra liderada por Grimnir interrompeu a paz, levando os guardiões e seus seguidores à ruína, com exceção da raposa. Ao despertar, a missão da protagonista é restaurar a ordem em uma exploração que a levará para terras distantes para se reunir com os antigos guardiões e libertá-los. No fim, quando todos estiverem reunidos poderão por um fim a destruição de Grimnir.
Spirit of the North 2 é focado em um protagonista carismático de quatro patas com uma missão importante. O jogo não possui qualquer diálogo em busca de despertar mais o lado sensorial do jogador, com breves momentos de cutscenes, sons emitidos pela raposa e trilha sonora que acompanha os momentos mais emotivos e dá mais impacto a eles. A trama é direta ao ponto: acordamos no jogo como uma raposa em meio a um mundo místico e temos ao nosso lado um corvo como companheiro e guia. O game não nos diz muita coisa, então não espere grandes momentos de cenas cinemáticas e narrações, pois as partes importantes para compreender o enredo estarão espalhadas pelo mapa em fragmentos em pergaminhos ou marcados nas paredes por pinturas rupestres. O jogo não concede nenhuma mensagem direta, por isso cabe ao jogador analisar e refletir sobre tudo o que foi exposto.
Desafios que demandam muita atenção
O Infuse Studio ampliou seu projeto em diferentes frentes. Desta vez, a raposa é personalizável e podemos alterar orelha, focinho, calda, olhos, tamanho e pelagem, com liberdade para deixarmos a nossa companheira como quisermos. No universo de Spirit of the North 2, o mapa foi expandido em um mundo aberto com seis regiões repletas de masmorras e criptas com puzzles fundamentais para o avanço da jornada — mas que após certo tempo se tornam muito repetitivos.
Ao longo do caminho, a raposa coleta cristais (“moedas”) e encontra runas, capazes de conceder novas habilidades, por exemplo, planar e investidas. Vale ressaltar que os desafios não oferecem recompensas tão vantajosas quanto o esperado para o tipo de complexidade e tempo gasto nesses defafios, consequentemente demandando bastante dedicação para acumular cristais. No mapa também encontramos outros pontos que podem auxiliar na evolução, como a Toca do Guaxinim, uma pequena loja para venda de runas e cosméticos, e as árvores que elevam pontos de vida, resistência, capacidade de carga e mais.
Não espere combates vindo do simpático animal, esta não é uma característica explorada em Spirit of the North 2. Temos chefes pelo caminho, mas a raposa tem outros métodos para lidar com eles, que consequentemente se alinham com a história e deixam a trajetória ainda mais significativa, uma vez que o tempo todo o jogo pontua que está jornada é de restauração. No encontro com chefes, o game coloca os jogadores para pensar em como resolver a situação de forma que o embate se torna mais sobre libertá-los do que enfrentá-los e, para isso, precisamos compreender bem tudo que se passa ao nosso redor.
Spirit of the North 2 é visualmente lindo, não podemos negar, mas em determinados momentos a execução não funciona como o esperado. O jogo sofre com problemas relacionadas à iluminação que fazem sentido em certos casos, para combinar com uma estética mais sombria da região. Essa escolha criativa, no entanto, não deveria atrapalhar a gameplay, como ocorre com certa frequência. Mesmo ajustando as configurações, o jogador precisa se esforçar muito para enxergar o que está à sua frente antes de avançar ou pular.
Este problema também prejudica a localizar certos itens no ambiente, inclusive o corvo. O fiel companheiro assume a função de guia, mas é quase impossível vê-lo, justamente pela forma como se camufla no cenário pouco iluminado ou pela decisão da desenvolvedora posicionar o animal tão longe no céu que se torna quase impossível identificá-lo rapidamente. Esses detalhes são capazes de atrasar bastante a gameplay.
No geral, o jogador pode se sentir perdido com frequência, uma vez que o mapa também não facilita tanto o trabalho — além de que em vários momentos senti falta de um minimapa para auxiliar a exploração. Para piorar, algumas regiões não possuem tantos detalhes marcantes para que o jogador seja capaz de situar onde está e se já passou por aquele caminho, o que mais uma vez obriga o jogador a gastar mais tempo do que deveria em certas partes do mapa por não ter uma orientação visual. No fim, o jogo se torna mais longo do que deveria justamente por esses detalhes que o impedem de avançar em um ritmo satisfatório.
Bugs permanecem na sequência
Spirit of the North 2 não escapa de bugs e travamentos, críticas que vem desde seu antecessor, mas não foram ajustadas nesta sequência. As quedas de desempenho são notórias ao longo da gameplay, como nos momentos em que a raposa se funde com objetos, principalmente, e relevos do cenário, ou quando há travamentos na movimentação da câmera. Os bugs não são apenas visualmente prejudiciais, pois também afetam a gameplay e progressão. Em determinado momento, um erro no cenário me fez morrer, pois quando pulei com a raposa em uma rocha, o animal passou direto por ela. Em linhas gerais, Spirit of the North 2 é um projeto com boas ideias e capaz de divertir, mas as várias falhas de desempenho e repetitividade de objetivos impedem o jogo de alçar voos mais altos.
Spirit of the North 2 sofre com altos e baixos. A sequência expande bem seu universo e história, construindo uma trama capaz de prender o jogador pela mitologia e mensagem simbólica. No entanto, o game replicou os mesmos erros de seu antecessor, falhas essas que não podem ser apenas deixados de lado, uma vez que sacrificam a gameplay e progressão dos jogadores.
Créditos Autor: Samara Barboza
Créditos Imagens: Reprodução Internet
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