Desde muito antes do lançamento, Assassin’s Creed Shadows se tornou um dos jogos mais atacados da indústria de games em tempos recentes devido à escolha do samurai Yasuke como um dos protagonistas do jogo ao lado da shinobi Naoe. A queixa dessa parcela do público utilizava como pretexto uma suposta ausência de protagonismo japonês no novo jogo da Ubisoft, ignorando totalmente o fato de Naoe ser tão protagonista quanto Yasuke e uma personagem japonesa.
O lançamento do jogo mostra, inclusive, que durante pelo menos as 10 horas iniciais da campanha, é Naoe quem rouba os holofotes da narrativa, e não Yasuke. Até mesmo extensas discussões sobre Yasuke ter sido ou não um samurai na vida real, mesmo com alguns historiadores japoneses, como Yu Hirayama, defendendo que Yasuke foi um samurai a serviço de Oda Nobunaga, uma parcela dos fãs transformou em problema a escolha criativa da Ubisoft, que em vários momentos da franquia criou histórias ficcionais a respeito de personagens históricos reais, como Leonardo Da Vinci, Sócrates, Cleópatra, Napoleão Bonaparte e Karl Marx.
A real raiz do problema para essa parcela de jogadores não está na exigência por precisão histórica ou desejo por mais protagonismo japonês nos games, afinal de contas William Adams foi protagonista em Nioh e não foi alvo de uma fração dos ataques que Yasuke sofreu desde sua revelação como protagonista de Assassin’s Creed Shadows nem entrou para os tópicos mais discutidos do Twitter quando o soulslike da Team Ninja foi lançado. A presença de um protagonista negro e de uma mulher parece ser o verdadeiro motivo do “problema”, visto que os constantes ataques a jogos que de alguma forma abordam diversidade e inclusão se tornou uma constante nos últimos anos.
Minoria histérica e sem poder real de boicote
Justamente em função desses ataques contra Assassin’s Creed Shadows, os jogadores que demonstraram insatisfação com a presença de Yasuke como um protagonistas do jogo apontaram em comentários de trailers do RPG de ação ou em redes sociais que o título seria um fracasso comercial, pois seria boicotado pela própria comunidade de Assassin’s Creed.
Contudo, a Ubisoft informou em suas redes sociais que Assassin’s Creed Shadows atingiu a marca de 1 milhão de jogadores já nas primeiras 24 horas após lançamento, mesmo sem ser um jogo “day one” em serviços de Assinatura como Xbox Game Pass e PlayStation Plus Extra, que tradicionalmente impulsionam números de jogadores devido a uma base instalada de dezenas de milhões de assinantes.
Disponível para venda no PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e no serviço de assinatura Ubisoft+, Asssassin’s Creed Shadows teve, inclusive, um lançamento melhor no Steam do que um dos maiores sucessos da franquia: Assassin’s Creed Origins. De acordo com o SteamDB, AC Origins atingiu um pico de 41.551 jogadores em outubro de 2017, quando o game foi lançado.
A efeito de comparação, Assassin’s Creed Shadows já atingiu um ápice de 47.616 jogadores simultâneos mesmo antes do primeiro fim de semana de lançamento, mostrando que o game não foi atingido pela estratégia de boicote daqueles que desejavam o fiasco do game. A torcida pelo fracasso de Shadows mostrou-se, no fim, extremamente incompetente, pois jogadores comuns, alheios ao constante patrulhamento de uma minoria raivosa e discriminatória, parece mais preocupada em jogar AC Shadows e tirar suas próprias conclusões sobre a qualidade e problemas do game do que vomitar todo tipo de preconceito nas redes sociais e fingir “exigência por precisão histórica” ou por “mais representatividade japonesa” nos games.
Ainda numa comparação direta com Assassin’s Creed Origins, o game ambientado no Egito vendeu pelo menos 10 milhões de cópias, figurando entre os maiores sucessos comerciais da história da Ubisoft. Ao menos no período de lançamento, Assassin’s Creed Shadows apresentou no Steam números melhores que os de Origins, um indicativo importante de que o jogo tem grandes chances de ultrapassar a marca de 10 milhões de cópias vendidas nos próximos anos e também se tornar um dos maiores sucessos da franquia.
No Steam, única plataforma que revela o número de jogadores simultâneos, apenas um jogo da franquia Assassin’s Creed atingiu um pico de jogadores superior ao de Shadows: Assassin’s Creed Odyssey, que em outubro de 2018 atingiu um ápice de 62.069 jogadores concomitantes. Assassin’s Creed Valhalla, que por dois anos ficou disponível com exclusividade na Epic Games Store na versão de PC e, também por isso, alcançou números menores no Steam, obteve um pico de 15.679 jogadores quando finalmente chegou à plataforma da Valve em dezembro de 2022.
Em qualquer métrica que se utilize, Assassin’s Creed Shadows está atingindo números que estão no mesmo padrão dos jogos mais bem sucedidos da franquia em seu período de lançamento, mesmo diante dos constantes ataques que sofreu de uma parcela de jogadores que pautou o debate com comentários raivosos nas redes sociais, se mobilizaram para deixar dislikes em trailers do jogo no YouTube e não esconderam em nenhum momento torcida pelo fracasso do RPG de ação. Mesmo após a Ubisoft anunciar que o game atingiu a marca de 1 milhão de jogadores em seu primeiro dia, centenas de comentários na publicação no perfil oficial de Assasssin’s Creed no X (antigo Twitter) questionaram a veracidade dos números, sendo que a própria métrica do Steam aponta que, em toda a história da franquia, apenas Assassin’s Creed Odyssey foi maior que Shadows em número de jogadores simultâneos.
Muitos usuários usaram os próprios números do Steam para questionar a marca de 1 milhão de jogadores, ignorando o fato de que Shadows está disponível não apenas para PlayStation 5 e Xbox Series, como também em plataformas de PC como o Ubisoft Connect e a própria Epic Games Store.
A efeito de comparação, a Capcom revelou que Monster Hunter Wilds vendeu 8 milhões de cópias em três dias, e no Steam o jogo da Capcom atingiu um pico de 1,384 milhão de jogadores simultâneos na plataforma da Valve. Isso se dá por um motivo simples: número de jogadores simultâneos no Steam é apenas uma das métricas para o sucesso de um jogo, e nunca revela a totalidade de jogadores. No caso de títulos single-player, isso é ainda mais notável, pois nem todas as pessoas que compram um jogo estarão jogando aquele título no mesmo dia e horário, especialmente no caso de jogos focados em uma campanha solo, que é o exato caso de Assassin’s Creed Shadows. No entanto, ao longo das primeiras 48 horas após lançamento, o jogo tem mantido em grande parte do tempo números acima de 40 mil jogadores simultâneos somente no Steam, um número totalmente dentro do patamar de popularidade da franquia na plataforma da Valve.
Mesmo numa comparação com vários outros jogos single-player, Assassin’s Creed Shadows apresenta números melhores do que títulos indies de grande sucesso comercial nos últimos anos e games AAA antes exclusivos de PlayStation e que há muito tempo eram esperados para PC. Até o momento, o pico de 47.616 jogadores simultâneos de AC Shadows superou o de jogos single-player como Indiana Jones e o Grande Círculo (12.138), Final Fantasy 7 Rebirth (40.564), God of War Ragnarok (35.615), The Last of Us Part I (36.496), Hollow Knight (20.324), Dead Cells (14.910), Balatro (43.905), Final Fantasy 16 (27.508), Final Fantasy 15 (29.498), Persona 5 Royal (35,474), Persona 3 Reload (45.002) e Like a Dragon: Infinite Wealth (46.161).
Naturalmente, no caso de jogos lançados exclusivamente para PlayStation originalmente, os números tendem a ser mais baixos pois milhões de jogadores já adquiriram esses títulos no console da Sony, mas mesmo no caso de jogos que não se encaixam nessa categoria e tiveram lançamento simultâneo em consoles e PC, como Like a Dragon: Infinite Wealth, Indiana Jones e o Grande Círculo e Persona 3 Reload e Dead Cells; ou saíram inicialmente para PC antes de chegarem aos consoles, como Hollow Knight e Balatro, Assassin’s Creed Shadows atingiu um pico de jogadores mais alto. Isso não significa, necessariamente, que o RPG de ação da Ubisoft será um sucesso maior que esses títulos no longo prazo, mas os números no Steam são um indicativo importante de que o jogo teve um bom lançamento e a estratégia de boicote a ele resultou num fiasco, mesmo com toda a histeria feita nas redes sociais.
Mobilizações em prol do fracasso de uma obra até podem fazer barulho nas redes sociais, mas, no fim, a realidade se impõe por meio de números. Assassin’s Creed pode não ser um fenômeno de popularidade ou o melhor lançamento da história da franquia, seja em qualidade técnica ou apelo comercial, mas o desempenho do jogo em seu período de lançamento mostra que ele está muito mais próximo de integrar o grupo de sucessos comerciais da franquia da Ubisoft do que de ser o fracasso que uma minoria extremamente barulhenta, extremamente preconceituosa e contrária a qualquer pauta de diversidade e inclusão torcia para que ele se fosse.
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Créditos Autor: Gabriel Sales
Créditos Imagens: Reprodução Internet
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