Final Fantasy XVI é o capítulo inédito mais recente de uma das franquias mais importantes e populares da história dos games, e dois anos após o lançamento do game para o PlayStation 5, o RPG de ação da Square Enix finalmente chega para Xbox Series X e Series S em um port há muito tempo aguardado pelos donos do console da Microsoft. As versões para os dois modelos de Xbox Series são satisfatórias e oferecerão aos jogadores uma jornada repleta de lutas grandiosas, momentos trágicos e ação intensa durante as mais de 40 horas de campanha da trama principal, ou mais de 60 horas para jogadores que decidam explorar todos os conteúdos opcionais e missões secundárias espalhadas pelo mundo de Valisthea.
A história de Clive Rosfield, Eikon Ifrit, filho do Duque de Rosaria Elwin Rosfield e da duquesa Anabella Rosfield, irmão mais velho e protetor do jovem príncipe herdeiro Joshua Rosfield, é marcada por reviravoltas, traumas e tragédias, o que faz dele provavelmente o melhor protagonista da história da franquia, ainda que a história de Final Fantasy XVI não seja a melhor de toda a série.
Tragédia, vingança e redenção
Da perda do irmão em um evento trágico no começo do jogo até a conclusão de sua jornada de vingança e redenção, Clive carrega o peso emocional da trama com brilhantismo, sendo um dos personagens mais bem escritos da história da franquia, apoiado também por ótimos personagens, como Cidolfus “Cid” Telamon, dominante do Eikon do trovão, Ramuh, e Jill Warrick, dominante da Eikon do gelo, Shiva.
Como o IGN Brasil já fez uma análise completa de Final Fantasy XVI quando o jogo foi originalmente lançado para PlayStation 5 e a versão de Xbox Series traz os mesmos conteúdos, esse texto não se trata de uma nova review, e sim um segundo ponto de vista do RPG de ação. Considero que a história principal do game é uma das melhores de toda a série, especialmente pela complexidade moral de vários personagens apresentados ao longo da campanha, de heróis a vilões, se é que esses termos são mesmo apropriados quando consideramos os vários segredos que o jogo vai revelando conforme o andamento da história.
Personagens como os dominantes Benedikta Harman (Garuda, Eikon do vento), Hugo Kupka (Titan, Eikon da terra), Dion Lesage (Bahamut, Eikon da luz) e Barnabas Tharmr (Odin, Eikon da escuridão) são instigantes exatamente por compreendermos como eles se tornaram o que são conforme o jogo apresenta mais detalhes sobre eles. Mesmo que alguns desses estejam posicionados claramente como vilões a serem derrotados e sejam capazes de atos cruéis, o game sempre apresenta um contexto que ajuda a explicar suas atitudes, em vez de simplesmente posicioná-los como personagens megalomaníacos ou sedentos por poder.
Ao mesmo tempo, mesmo os dominantes aliados de Clive, casos de Jill e Cid, não são modelos de perfeição e, assim como o próprio protagonista, também carregam o peso de suas próprias ações no passado. Clive não é exatamente um herói típico, e sim um homem atormentado por um passado traumático e em busca de uma jornada pessoal de vingança. São as reviravoltas na trama que fazem Clive perceber que ele pode ter um papel maior no mundo, e a evolução e amadurecimento do personagens são palpáveis ao longo da campanha.
Mais ação do que RPG, e isso não é um problema
O sistema de combate do jogo, por sua vez, é um dos pontos em que Final Fantasy 16 mais brilha. Como possui a habilidade de absorver as habilidades de todos os Eikons, Clive tem uma gameplay extremamente versátil, com possibilidades de builds que podem focar tanto maior capacidade de atordoamento, usando as habilidades de Garuda, como em maior resistência, com Titan, ou dano massivo ou em área usando Ramuh.
Dentro da campanha, Final Fantasy XVI nos coloca em várias lutas de escala grandiosa, e a possibilidade de redistribuir pontos de habilidade para testar novas builds e encontrar aquele que melhor se encaixa em nosso estilo de jogo é encorajadora. Quanto mais habilidades de Eikons desbloqueamos, mais versátil e letal Clive se torna em combate, e ainda que uma parcela dos fãs não tenha aprovado o grande foco em ação de FF 16, considero que a Square Enix entregou um dos melhores sistemas de combate da história da franquia, embora realmente ele se distancie do que muitos fãs esperam de um Final Fantasy. E quanto mais pontos de habilidade acumulamos, mais letal e versátil Clive se torna no jogo.
As lutas entre Eikons também proporcionam alguns dos melhores momentos do jogo, com combates verdadeiramente grandiosos e dignos da mitologia de Final Fantasy. Controlar um Iftit gigantesco enquanto ele enfrenta Garuda, Titan ou Odin é um verdadeiro espetáculo visual e de direção de arte. Ainda assim, a gameplay do jogo ainda sofre pontualmente com a repetitividade de abordagens devido à baixa inteligência artificial da maioria dos inimigos.
Os calcanhares de Aquiles
No entanto, se a história principal e a gameplay de Final Fantasy XVI são grandes acertos do jogo, o mesmo não se pode dizer sobre a exploração do mundo em si e sobre as missões secundárias. De modo geral, a maioria das áreas que visitamos, embora ricas em detalhes e muito bonitas visualmente, são bastante lineares, pequenas e pobres em exploração. Para piorar, se a história principal do jogo realmente é é capaz de prender o jogador, as quests opcionais são, salvo exceções, pouquíssimo criativas e com textos desinteressantes, de modo que as recompensas de missão, como dinheiro e pontos de experiência, são a única coisa que faz a maioria dessas quests valerem minimamente a pena.
A pouca criatividade dessas missões secundárias só é atenuada na reta final da campanha, quando quests mais significativas para complementar o entendimento da trama principal são desbloqueadas. Ainda assim, o time de desenvolvimento da Square Enix, liderado por Yoshi-P, faz um trabalho que, no todo, deixa a desejar quando o assunto são quests opcionais, e liberar conteúdos mais interessantes quando já estamos próximos de zerar o jogo não corrige essa falha.
Taxa de quadros estável, resolução abaixo do esperado
Por fim, o port de Final Fantasy XVI para Xbox Series tem como grande ponto fraco a baixa resolução em vários momentos da campanha. O problema é mais notável no Series S, console menos potente da linha, mas mesmo o Series X roda em uma resolução de 720p no modo desempenho, enquanto no PS5 o jogo alcança 1080p no modo desempenho.
Por outro lado, o console da Microsoft consegue manter a taxa de 60 FPS de forma bastante estável. Ainda assim, considero importante que a Square Enix trabalhe em atualizações nas versões de Xbox Series para que o jogo alcance na versão de Series X os mesmos 1080p no modo desempenho que o game alcança no PS5.
Em linhas gerais, o port de FF 16 para Xbox Series não é ruim, mas ainda tem espaço para melhorias que considero obrigatórias, especialmente no caso da versão de Series X, um console com potência equivalente a de um PS5 padrão.
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Créditos Autor: Gabriel Sales
Créditos Imagens: Reprodução Internet
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