Quando Crimson Desert foi anunciado, confesso que fiquei um pouco cético. Muitos jogos se propõem a ter escopos gigantescos, com diversos recursos, e a grande maioria falha em atender às expectativas geradas. No entanto, logo na minha primeira hora de exploração do vasto universo criado pela Pearl Abyss, me surpreendi. Não só com a proposta inserida ali, como também com o nível de detalhes e resultados obtidos.
Por onde você anda e olha dentro deste vasto mundo aberto, tudo é construído com muitos detalhes. As animações de cada animal são muito bem feitas, passando a sensação de que estão ali vivos, interagindo e seguindo com a sua natureza. Curiosamente, você pode coletar qualquer tipo de animal, inclusive uma barata, por exemplo.
Cada item no mapa pode ser coletado, inspecionado e armazenado. Os castelos são decorados com ornamentos, corredores com quadros desenhados nos mínimos detalhes. As ruas da cidade carregam um ar de vivacidade, só aumentando a imersão com cada NPC seguindo o seu dia a dia.
Em diversos momentos me peguei observando os mínimos detalhes presentes em árvores, ou até mesmo de meu cavalo. Que, aliás, traz uma movimentação extremamente fluída, se não fosse pela ocasional travada ao encontrar um objeto em sua frente – mesmo cavalgando em velocidade máxima.
No entanto, cada minúcia contribui para gerar uma imersão bem completa durante a experiência em Crimson Desert. Tudo isso aliado a uma ótima trilha sonora, que acompanha sua dinâmica. Tomada totalmente por instrumentos, ela casa perfeitamente com cada situação, seja o ar de exploração enquanto você pacientemente explora o mapa, como também o épico enquanto trava uma batalha com um chefe.
A campanha é o ponto de decepção
Mas, enquanto a exploração, suas inúmeras possibilidades e um combate avançado são o grande destaque do jogo, a história deixa muito a desejar, e aqui é provável que seja o ponto de divisão em Crimson Desert.
Com um grande número de RPGs de ação trazendo ótimas narrativas, é difícil não responsabilizar a Pearl Abyss pela fraca campanha criada para o jogo. Kliff, o grande protagonista, só tem uma única camada e em vários momentos me peguei pensando que só estava torcendo por ele, porque o jogo me contou que ele era o herói.
Não há um apreço pelo personagem ou sequer um trabalho de desenvolvimento com ele. Se em alguns casos vemos jogos como Red Dead Redemption 2 mostrando um carinho com seu protagonista, em Crimson Desert isso passa longe.
Logo no início, Kliff é morto por Myurdin, líder dos Ursos Negros (seus inimigos jurados), e por algum milagre não explicado muito bem, forças maiores o trazem de volta, agora com a missão de reencontrar seus aliados, obter sua vingança e espalhar o bem pelo continente.
E nada fica claro a partir daí. Temos instaurado que Myurdin é o vilão, mas não sabemos seus motivos. Não entendemos essa rivalidade entre os Jubas Cinzentas e os Ursos Negros, muito menos os desdobramentos. Para além disso, não conhecemos a fundo esses seres mágicos que trazem Kliff de volta, e suas aparições parecem mais muletas no roteiro, pois são muito ocasionais.
Marcada por diversos acontecimentos mal-explicados e personagens esquecíveis, a jornada de Kliff e seus aliados fica muito aquém do esperado de um RPG de ação. Existem diversas espécies e monstros no jogo, e tudo isso é raso em termos de lore. Não sabemos de onde vêm, seu contexto ou envolvimento. Personagens vêm e vão, e os vilões acabam sendo bem caricatos e nem um pouco marcantes. Alguma cutscene ou outra se propõe a explicar o contexto de cada região, mas tudo isso se perde em um grande retalho de informações e acontecimentos. Plot twists vão acontecendo, mas cada um vai se tornando mais fraco que o outro e a sensação é de que você está jogando três campanhas em uma, sem entender qual é o ponto focal ou porque você está indo àquele lugar e lutando com aquele vilão.
Isso também se estende para os personagens jogáveis. Além de Kliff, você também pode jogar com Damiane e Oongka em certos momentos narrativos e para a exploração no geral. Suas presenças foram uma grata adição para mudança de tom, especialmente pela diferença de gameplay em cada um. No entanto, sua presença narrativa se limita a isso. Uma aparição em um certo momento, sendo pouco utilizados no âmbito geral da campanha.
No entanto, é importante mencionar que isso não se estende à variedade de chefões apresentados, mas sim ao impacto deles na história. Cada luta traz um estilo diferente, tornando a campanha mais proveitosa, mas em termos de narrativa, senti que poucos deles contribuem para algo além de estarem ali para enfrentar.
As notas e documentos, tão comuns em jogos do gênero, são substituídos pela mecânica do Visione, um capacete que permite assistir a memórias de lugares específicos. Por meio dele você consegue um contexto histórico de certos lugares ou situações. No entanto, senti que foi algo pouco aprofundado, e me vi poucas vezes assistindo a todas memórias ou indo atrás disso, já que não senti que isso contribuia de fato para a experiência completa da narrativa.
Então é seguro dizer que, se você é um jogador que preza por uma lore rica e uma história completa, com personagens cativantes e missões empolgantes, Crimson Desert vai decepcionar nesse quesito.
A exploração é a salvação
Porém, enquanto temos muitas coisas erradas com a campanha, quase todos os acertos do jogo estão em seu mundo aberto. Em Crimson Desert nós temos a opção de explorar todo o mapa de Pywel, com cinco regiões disponíveis: Hernand, Demeniss, Delesyia, Pailune e Crimson Desert. No entanto, o grande destaque fica por conta do Abismo. Não pelos seus visuais, que ainda assim são belos, mas sim pelo fato que ele transmite toda a grandiosidade do jogo de forma direta.
O Abismo é um lugar que apenas Kliff consegue acessar, em uma área acima do mapa, sendo praticamente uma “terra no ar”. Você fica a quilômetros acima do terreno de Pywel, e lá de cima consegue ver praticamente o mapa completo. E não houve uma sensação melhor para mim no jogo do que assistir a tudo aquilo lá de cima. Não são apenas visuais, é um mapa inteiro que você consegue acessar diretamente, basta pular. E aqui Crimson Desert brilha. Esse mapa gigantesco toma forma como algo vivo, e mais importante, detalhado. Conforme vai chegando ao chão, o mundo fica mais visível, os NPCs continuam suas ações normalmente, e você é confrontado novamente com o universo de Pywel seguindo sua vida. É uma verdadeira sensação de grandiosidade passada com apenas um pulo.
Enquanto isso, as regiões no solo não deixam nada a desejar. Cada uma traz um visual diferente, assim como ameaças, temperaturas, terrenos, missões e por aí vai. Hernand se provou ser um ótimo local para ajudar camponeses, explorar seus visuais repletos de plantações e vivenciar o dia a dia cheio da cidade. Já Demeniss carrega as principais ameaças, tornando sua exploração difícil, porém recompensadora, com missões mais selecionadas de combate. Pailune traz o frio e terras mais altas, conforme mais você avança para o norte. Delesyia carrega os principais pontos de tecnologia, então é onde você vai estar mais em contato com máquinas e itens tecnológicos. Por fim, temos o Crimson Desert, sendo um lugar mais recluso, árido e quente, incluindo diversos puzzles com templos e inimigos mais selecionados.
E, sim, a temperatura de cada região tem impacto em sua “performance”. Na neve você lutará mais lento, caso não tenha equipado roupas de frio. Da mesma forma, no calor você cansa mais rápido. As roupas carregam um peso e impacto em sua gameplay, inclusive no acesso em certas áreas, já que alguns castelos e zonas proibidas você só consegue entrar se tiver item ou roupa específica que garanta sua entrada.
Cada região carrega sua identidade, fazendo com que a jornada por Crimson Desert não se torne repetitiva e maçante. Até por conta disso, explorar com o seu cavalo se torna proveitoso – mesmo que voar com o dragão seja o grande destaque. Existem diversas maneiras de se locomover no jogo, porém esses dois animais se provaram os mais comuns em minha gameplay.
Busquei a todo momento como poderia ter novas montarias, mas sem sucesso. Não há uma indicação de onde possa achar um urso como montaria, ou até mesmo o dinossauro que vimos nos previews. Tudo isso fica um pouco largado, e também há pouco incentivo para ir atrás. Assim que você conquista o dragão, tudo fica muito focado em explorar com o cavalo ou voar, caso queira chegar mais rápido – sem o uso de fast travels.
Voar com o dragão é um show à parte, com uma animação muito fluída. No entanto, é limitante, muito por conta do potencial de destruição que ele carrega e o fato que há um timer de “descanso” para o seu dragão. Além do fato de ter um intervalo de 15 minutos que você precisa esperar para conseguir subir na fera novamente, em Crimson Desert você não pode sobrevoar lugares habitados com o seu dragão, e sinto que tomaram essa decisão para que jogadores não imitassem Daenerys de Game of Thrones e queimassem cidades inteiras.
Porém, claro, se o seu objetivo é encontrar o máximo de quest ocasionais e ajudar NPCs em tarefas do dia a dia, é na estrada que você terá mais interações, além de encontrar itens e desafios secretos – e você majoritariamente só consegue isso viajando com o seu cavalo. E é difícil não se perder no meio de tudo. Em diversos momentos me vi passeando pelas ruas de Delesyia, dando esmolas, interagindo com NPCs e explorando seus muitos caminhos em um ambiente vivo e extremamente proveitoso.
Confesso, no entanto, que os pontos de viagem rápida deixam a desejar. Não pelo fato de estarem no jogo, mas sim pela posição de alguns deles. Em certos momentos, você quer chegar rápido em alguma cidade, e não ajuda muito o ponto estar fora ou afastado do lugar em questão, especialmente quando ele carrega uma importância narrativa.
Faria mais sentido para os pontos estarem localizados no centro de cada cidade, facilitando o fast travel. Não é algo que impactou negativamente a minha experiência, mas poderia ser melhorado.
As comidas também são um ponto de foco. Nada talvez seja mais importante do que achar fogueiras para cozinhar, já que são por meio dessas receitas que você vai recuperar vida ou espírito. Carnes, peixes, legumes, frutas… você pode cozinhar basicamente tudo que é comestível, e para cada comida, existem variações que impactam o quanto de HP você recebe por aqui. Uma carne grelhada simples dá muito menos HP do que uma grelhada satisfatória e por aí vai.
O sistema é amplo e válido, porém gerou um hábito repetitivo de eu constantemente ir buscar ingredientes antes de cada boss fight, seja caçando ou comprando no mercado. A cada boss fight era um fast travel para a cidade mais próxima para comprar tudo e cozinhar antes de entrar na luta.
Além disso, por mais que exista uma grande variedade de receitas, não há um real incentivo para você entrar a fundo nesse sistema. Em minhas longas horas, foquei em uma receita específica de sopa, que garantia bons níveis de HP, e focava em pegar apenas esses ingredientes necessários, ignorando todo o resto.
Já pelo lado das suas ações como o personagem, você não está preso apenas a boas ações, e roubo é uma possibilidade. E aqui, por mais que o jogo o incentive a fazer o bem, roubar é uma ótima e fácil maneira de fazer dinheiro rápido, podendo usá-lo para diversos fins importantes no progresso de Kliff e seus aliados.
A vida criminosa não é tão extensa assim, mas te garante ações disponíveis, como matar NPCs também. No entanto, o jogo claramente não te incentiva a isso, garantindo fortes punições. A cada roubo e assassinato – caso hajam testemunhas – seu crime é constatado e você fica com status de “procurado”. Seu acesso na cidade fica limitado e isso normalmente pode ser “consertado” pagando as multas altíssimas impostas. Claro, você também pode ser preso, mas é algo mais improvável de acontecer, a não ser que teste muito sua sorte.
Além disso, há uma enorme variedade de minijogos disponíveis dentro de Crimson Desert. Seja jogar pedra, papel e tesoura com crianças, lutar na arena, disputa de arco e flecha, queda de braço, jogos de cartas e por aí vai. Porém, confesso que nada é melhor do que se perder apostando grandes quantias na mesa – bom, talvez jogar pedra, papel e tesoura.
O que não falta são missões secundárias, cada uma mais diferente que a outra
A variedade de missões me impressionou bastante também. Você pode ajudar com pesca, cozinhar e descobrir novas receitas, ajudar a consertar carroças, minerar cobre, cortar madeira, entre muitas outras ações do dia a dia, o que me deixou muito satisfeito. Missões que pedem para você eliminar bandidos ou limpar uma área de inimigos saíam do óbvio e pelo menos carregavam uma profundidade para além do simples combate.
Em minhas mais de 100 horas de jogo, foi difícil não me perder explorando cada vez mais pontos do mapa para descobrir ainda mais novidades escondidas por aí. Me peguei em momentos correndo atrás de um peixe específico para ajudar Renée – a açougue de Hernand – com uma receita de guisado, mas logo depois indo cortar árvores para ajudar alguém em Pailune com madeiras específicas, além de no meio do caminho lutar para libertar uma área das forças inimigas. As variedades e locais são ótimos e ditam o ritmo e impacto dessas quests.
E tudo isso é ainda mais expandido com o acampamento. Poder gerenciá-lo e seu grupo de Jubas Cinzentas facilita ainda mais o progresso. Ao longo do jogo você pode encontrar e convocar mercenários para ajudar seu acampamento, e aqui as missões em que você pode enviá-los variam. Podemos colocá-los para ajudar a expandir um ponto de pesca, lutar e eliminar inimigos em um castelo perto, cultivar mais grãos, ajudar com o gado em áreas próximas… cada missão ajuda a expandir a base, tornando-a ainda maior, desbloqueando mais oportunidades e habilidades.
É aqui que você pode driblar a necessidade de caçar sua comida ou ir comprar toda hora nas cidades. Com um acampamento desenvolvido você pode criar suas próprias galinhas, por exemplo, fazendo com que comida não seja mais um problema.
Itens específicos para comércio também podem ser encontrados ao longo de diversas áreas diferentes, desbloqueando possíveis novas rotas para o seu acampamento, dependendo com quem e onde você negocia. Mas caso você seja um pouco mais egoísta, é possível vender esses itens no mercado negro e faturar uma grana pra si só.
Em Crimson Desert você tem a liberdade para escolher o caminho a seguir, e isso me cativou profundamente. Não estar preso a um roteiro na exploração abre as portas para encontrar diversas quests, pequenas ou de grande impacto, encontrando diferentes maneiras de desbloquear uma habilidade, descobrir itens, entre outros.
Há uma variedade saudável de itens, armas, armaduras e habilidades
Após a conclusão de cada boss fight você recebe novos itens, o que faz com que o inventário se torne algo complicado de navegar. Diversas armaduras, armas e itens ficam acumulados, sem contar que peças de outros personagens são todas contabilizadas em um único inventário. Óbvio que você pode vender seus itens, e essa foi uma estratégia que coloquei em prática.
Ao vender o item para um vendedor específico, você pode recomprá-lo por um certo período até ele sumir. Sendo assim, usei vendedores específicos em Hernand e Delesyia como um “inventário secundário” para armazenar certos itens por uns dias, enquanto desenvolvia minhas armas.
Um dos meus hobbies, aliás, foi justamente desenvolver armaduras e armas variadas, para mesclar bem os possíveis tipos de combate. Para isso, foquei no desenvolvimento de uma lança e algumas espadas diferentes – e aqui entra o caráter do grind. É preciso ir atrás de itens e upar cada arma e armadura tem os seus desafios. Você precisa de madeira para o arco, cobre e ferro – além de outros minérios ao alcançar níveis mais avançados – para suas espadas e por aí vai. Isso envolve também bastante exploração.
Claro que você pode simplesmente comprar esses itens no mercado, mas existe um número limitado que pode adquirir, limitando também seu poder de compra. O melhor mesmo é explorar e encontrar pontos para minerar, por exemplo.
Mas para além desse desafio no inventário, há uma variedade saudável de itens, armas, armaduras e habilidades em Crimson Desert. Cada arma traz slots nos quais você pode incluir esferas do abismo – cada uma gera um efeito diferente, como a recuperação de vida por segundo, por exemplo. Coletar essas esferas não é necessariamente um problema, mas é mais como usá-las. Você precisa comprar cada slot com as bruxas, o que aí faz com que o dinheiro entre como obstáculo, já que são mais caros.
O grande ponto pra mim, no entanto, é a árvore de habilidades. No jogo não existe o conceito de XP e a forma com que você upa suas habilidades é adquirindo pedras do abismo ao longo de sua aventura. No entanto, é possível também aprender novas skills testemunhando NPCs e inimigos efetuando-as, e isso me deixou confuso.
Não é explicado em que momento você irá aprender essas habilidades e isso pode causar certa hesitação na hora de escolher como vai usar suas pedras. Certas skills eu passei o jogo inteiro esperando para a situação de aprendê-las, algo que não chegou a acontecer em certos casos. Por isso, meu conselho é: use suas pedras como preferir. No final, decidi controlar eu mesmo minha própria árvore, ao invés de esperar por algo que não sabia em que momento iria acontecer.
O modo “descubra você mesmo” aprofunda a exploração, mas também carrega desafios
E aqui eu levanto este modo tão usado por games e que já ficou clássico no gênero. Crimson Desert traz uma abordagem minimalista quando se trata de ajuda ao jogador. Se você é alguém que precisa que o jogo pegue pela mão e explique grande parte das coisas, então sua experiência será, no mínimo, complicada. Porém, enquanto eu gosto do modo descubra você mesmo, o jogo se complica desnecessariamente com quebra de ritmos pontuais e direcionamentos que mais confundem do que ajudam.
Em um dado momento, uma de minhas boss fights era contra uma sombra maligna chamada Tenebrum. A luta consistia em ela constantemente voar em zigue e zague, enquanto me golpeava com tiros. A direção do jogo era “se aproxime de Tenebrum”, apenas. É válido mencionar que existem muitas maneiras de se aproximar, seja voando, pulando etc. No entanto, a forma de aplicar dano neste caso ficou como mistério, até o ponto de minha descoberta – mas isso é algo recorrente no jogo e que pode estender diversas lutas e o desafio de cada jogador.
Algo que me divertiu bastante em Crimson Desert é sua mescla no combate. Você pode lutar de tudo que é forma diferente, focando no seu arco e flecha, armas de fogo, armaduras, espadas, lanças, feitiços, além de, claro, combar tudo isso. O combate se torna extremamente divertido pelo fato que é difícil ver um limite para as ações de Kliff e cabe a você decidir em qual vertente quer focar. Em alguns momentos, me metia no meio de diversos inimigos no campo de batalha após me balançar em uma haste, girando para conectar um forte ataque com minha palma. E esse é apenas um dos jeitos possíveis de fazer uma grande entrada no campo de batalha.
O jeito megalomaníaco de combate torna as lutas simples mais divertidas, mas também engrandece ainda mais as lutas de chefes. Cada boss fight pode ser ganha de uma forma diferente, já que cada chefão possui sua vulnerabilidade. Como você descobre fica por sua conta, já que também é possível vencer lutas do modo mais tradicional possível.
E um dos recursos que ajuda bastante você a se adaptar melhor a cada luta é a possibilidade de fazer um respec em sua árvore de habilidades. Isso pode ser feito via pedras do abismo desvanecidas e foi algo que usei com uma boa frequência. Essas pedras basicamente funcionam como um reset em sua árvore, possibilitando que você reorganize seus pontos como preferir.
Dessa forma, se em alguma luta sentia que precisava de uma habilidade que não tinha upado ainda no nível necessário, usava a pedra e reorganizava minha árvore da melhor forma possível, sendo algo que me ajudou bastante na progressão. E tudo isso coube a mim descobrir, indo atrás e fuçando o jogo para entender as escolhas que tinha disponível.
Mas para além das boss fights, as direções gerais de Crimson Desert são bem minimalistas, e a experiência do jogador sofre um pouco com isso. Em momentos pontuais, estava no ápice de uma guerra ou batalha e precisava parar para procurar um puzzle ou lugar específico para dar prosseguimento, e isso impacta, e muito, o ritmo do jogo e sua campanha.
Diversas missões são impactadas pela falta de direcionamento, e por mais que isso tenha suas partes boas, também força o jogador a fazer um trabalho extra, muitas vezes desnecessário.
O próprio acampamento é algo pouco explorado e explicado no jogo. Você recebe poucas informações e o sistema é introduzido logo cedo de forma muito estranha e não clara. Dessa forma, há poucos incentivos iniciais para que você construa e desenvolva talvez uma das partes mais importantes de Crimson Desert.
O jogo, assim, peca em diversos momentos ao não ser claro como algumas ações podem impactar sua gameplay. Diversos recursos acabam passando despercebidos enquanto você foca nos objetivos mais claros. Claro, ainda é possível explorar e zerar o jogo sem usar vários dos features disponíveis, mas a experiência se torna incompleta nesse sentido.
Em minha campanha, percebi muito tarde o real impacto que o acampamento tem e foi um pouco frustrante perceber que várias horas de indo e vindo poderiam ter sido poupadas com apenas um pouco mais de claridade do sistema.
Bugs e desempenho
Com tantas informações e recursos dentro do jogo, foi muito bom ver que minha GeForce 4070 SUPER rodou Crimson Desert muito bem, ainda no ultra. A renderização do jogo está ótima, seja em momentos em que você está pulando do abismo, como também em batalhas noturnas, repletas de luzes e muitos NPCs ao mesmo tempo na tela.
Porém, é claro que bugs estão presentes também. Desde os mais simples até os que realmente impactam a gameplay, tive alguns momentos em que precisei reiniciar o jogo. Bugs como inimigos não darem spawn na luta ou você resolver um puzzle, mas nada acontecer, foram mais comuns do que gostaria em minha experiência. Acredito que tudo isso será polido em novos patches, mas certamente impactaram o cenário geral para mim.
Crimson Desert traz uma experiência completa, mesmo que com alguns tropeços. Sua campanha deixa a desejar, mas em compensação o jogo brilha com um universo vivo e recheado de detalhes. Seu excelente combate, aliado a poderosos visuais e uma trilha impactante, torna as batalhas divertidas e épicas, mas foi em seu mundo aberto que encontrei a maior diversão e destaque do jogo.
Créditos Autor: Enrico Carnevalli
Créditos Imagens: Reprodução Internet







