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Sorry We’re Closed peca no terror, mas constrói boa narrativa através de temática LGBTQIAP+

Enquanto Resident Evil, Silent Hill e Alan Wake apostam em uma estrutura mais moderna para o terror de sobrevivência com a câmera acima do ombro, gráficos mais realistas e um tom mais cinematográfico para a trama, os jogos indies do gênero buscam resgatar as emoções do passado com visuais mais poligonais que remetem ao PlayStation 1 e aos clássicos deste período e com a clássica jogabilidade de câmera fixa. Sorry We’re Closed é um exemplo desses jogos independentes que buscam reviver conceitos passados, mas com uma cara mais atual.

Créditos: à la mode/Reprodução

Desenvolvido pela à la mode games e publicado pela Akupara Games, Sorry We’re Closed se passa em um universo tomado por anjos, demônios e humanos, com uma narrativa misteriosa, cenários claustrofóbicos, monstros bisonhos e apresentando temáticas que conversam bastante com o público LGBTQIAP+.

Quebre a maldição

No jogo controlamos Michelle, uma atendente de caixa de loja de conveniência que passou recentemente por um término e está tentando superar a ex-namorada. Michelle é uma protagonista simples, que possui um passado nada explorado, o que impede a criação de laços entre o jogador e ela nos momentos iniciais. Contudo, no decorrer da narrativa nos compadecemos devido à maldição jogada sobre ela, que é fio condutor da trama.

Créditos: à la mode/Reprodução

Durante as horas iniciais o objetivo é chegar no quarto de Michelle. Aqui fui apresentado à parte social do jogo – Sorry We’re Closed se inspira em games como Silent Hill e Persona para construir o loop de gameplay. Enquanto conversava com os residentes da pacata cidade em que o jogo se passa, a única coisa que senti foi tédio. Ao chegar no quarto de Michelle, enquanto dormia, fui assombrado pela vilã, a Duquesa, um demônio de visual extravagante que deseja amor. Pelo fato de Michelle passar por um período solitário após término, ela se tornou vítima da antagonista que a amaldiçoa e a ameaça possuir caso a maldição não seja quebrada.

O jogo começa de uma forma chata, com um trecho inicial conduzido por uma criatura grotesca chamada Dream Eater, que aborda as nuances macabras daquele universo. Mas, após a primeira hora de gameplay, quando de fato se iniciou o segmento survival horror, finalmente me senti cativado pelo game.

Créditos: à la mode games/Reprodução

Após ser amaldiçoada pela Duquesa, Michelle ganha poderes sobrenaturais com um terceiro olho, usado para expor pontos fracos dos inimigos e viajar entre as realidades humana e dos demônios. Para quebrar essa maldição, contamos com a ajuda dos amigos Robyn, demônie com um visual parecido com um sátiro da mitologia grega, e Benedict, um anjo que calcula possibilidades futuras, ambos passam a tarefa de coletar mais terceiros olhos para aumentar o poder de Michelle, que deve desafiar a Duquesa em busca da liberdade.

Com personagens diversos que abordam diferentes dilemas da vida, principalmente o amor e os desafios que relações LGBT possuem devido aos preconceitos e discriminação da sociedade, Sorry We’re Closed traz uma trama solida que começa chata, mas que cresce com maior desenvolvimento dos personagens secundários, com a dualidade do mundo dos anjos e demônios e com as alegorias que usa para tratar de temas como preconceito, solidão e as variadas faces do amor. Alguns personagens secundários são divertidos e possuem personalidades distintas, chegando ao ponto de ter suma importância para as quests secundárias que encaminham para os demais finais do jogo.

Estrutura clássica do survival horror

A jogabilidade de Sorry We’re Closed é dividida em dois núcleos: social e survival horror. Enquanto a parte social do jogo foi chata e nada cativante para mim, dentro dos segmentos de terror de sobrevivência me encontrei completamente imerso.

Devido à simplicidade e por ser composta apenas de diálogos que são muitas vezes apenas expositivos, é difícil se conectar com outros personagens que não são essenciais para trama ou para obter os diversos finais que o jogo possui. Muitas vezes estava apenas apertando X para avançar os diálogos, porque nada seria perdido durante uma conversa desinteressante que não levaria para lugar nenhum da narrativa.

Créditos: à la mode games/Reprodução

O maior acerto do jogo se encontra em suas sessões de survival horror. Com mapas grotescos, escuros e inimigos bizarros, Sorry We’re Closed apresenta uma gameplay ótima com um combate que mistura a câmera fixa e primeira pessoa. Enquanto explorava, a câmera estava fixa e usava ângulos interessantes, mas que muitas vezes eram confusos e mostravam que o posicionamento não era o melhor.

Ao mirar, o jogo se torna um FPS, mas não é possível mover ou esquivar com Michelle enquanto miramos, o que exige cautela ao entrar em algum embate. A dificuldade, no entanto, é quase nula. Com o terceiro olho de Michelle, é possível expor os pontos fracos dos inimigos dentro da área de ação da habilidade, ou seja, bastam alguns tiros ou golpes que qualquer criatura é morta, exceto aqueles que exigem o uso da arma angelical Heartbreaker, que é extremamente poderosa e é carregada ao acertar pontos fracos dos inimigos.

Créditos: à la mode gams/Reprodução

A Heartbreaker é essencial nas batalhas de chefes. Existem alguns inimigos que não podem ser mortos pela pistola, escopeta e machado, então é necessário matá-los com essa habilidade especial. Falando nas batalhas de chefe, todas são boas, principalmente a luta final composta por segmentos diversos e desafiadores.

Durante a exploração dos locais, encontramos artefatos que podem ser vendidos em troca da moeda do jogo, usada para upgrades em Michelle e nas armas. O mercador responsável pela venda e compra dessas melhorias é T.A.D, uma cabeça flutuante de cabra que é bastante estranha, mas simpática.

Carência de terror e quebra-cabeças

As sessões de survival horror do jogo são boas, mas carecem de terror e quebra-cabeças. Apesar de contar com o clássico leva e traz de itens, corredores minúsculos com inimigos e outros elementos que compõem o terror de sobrevivência, o jogo carece destes dois fatores supracitados que, muitas vezes, tornam esses jogos realmente bons.

Créditos: à la mode/Reprodução

Com uma atmosfera amena, em nenhum momento me senti apreensivo durante o jogo, que falha em construir uma ambientação de terror, apesar das inúmeras inspirações em Silent Hill. Mesmo durante momentos de perseguição do Dream Eater, que é mais veloz que Michelle, não me senti amedrontado com uma criatura horrenda na cola. A coisa mais assustadora do jogo inteiro é o visual do monstro, que por si só é incapaz de causar medo.

Quanto aos quebra-cabeças; puzzles são um dos meus elementos favoritos em jogos survival horror e Silent Hill possui alguns dos melhores já feitos, e com Sorry We’re Closed se inspirando diretamente na franquia da Konami, esperava algo semelhante, mas não consegui encontrar. Me recordo apenas de um quebra-cabeça que envolvia ligar um sistema de água por canos e, basicamente, foi isso. Na sequência da batalha final, existem outros puzzles interessantes que brincam com perspectiva e reflexo, mas o jogo me desapontou demais nesse elemento.

Com fortes inspirações em Persona e Silent Hill, Sorry We’re Closed capta essência dessas franquias e coloca DNA próprio em uma boa narrativa cercada de alegorias sobre preconceito, solidão e amor. Como survival horror, o jogo peca nos aspectos de terror, mas, ainda assim, consegue trazer uma experiência sólida com um bom combate e inimigos grotescos.

Créditos Autor: Vitor Conceição
Créditos Imagens: Reprodução Internet
Tags: sorry-were-closed-peca-no-terror-mas-constroi-boa-narrativa-atraves-de-tematica-lgbtqiap

Fonte: Clique aqui

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