A Wildlife Studios, principal empresa brasileira de desenvolvimento de jogos para celular, saiu em busca de aquisições no mercado nacional e internacional. Avaliada em US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), a companhia fundada em São Paulo pelos irmãos Victor e Arthur Lazarte em 2011 já iniciou conversas com bancos de investimento para comprar estúdios de jogos na América Latina e, sobretudo, no Brasil.
Em entrevista ao programa C-Level, da Folha de São Paulo, o diretor de marketing da Wildlife, Matteus Caprecci, afirmou que a empresa captou dinheiro há alguns anos e é lucrativa, e agora pretende investir esse capital estrategicamente. O foco são tanto operações de compra quanto negócios de distribuição de jogos de terceiros por meio de acordos de divisão de receitas.
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A Wildlife é um dos casos de maior sucesso do empreendedorismo brasileiro no setor de tecnologia. Desde sua fundação, a empresa registrou 4,8 bilhões de downloads de seus jogos, que incluem títulos como Tennis Clash, Zooba, Sniper 3D e War Machines. Atualmente, são mais de 60 jogos no catálogo, com oito novos títulos em desenvolvimento nos estúdios da Califórnia e da Finlândia.
Cerca de 90% dos usuários da Wildlife são internacionais, com mais da metade concentrada nos Estados Unidos. A empresa tem escritórios em São Paulo, São Francisco, Buenos Aires, Toronto, Dublin, Tel Aviv e Helsinque. São aproximadamente 500 funcionários espalhados pelo mundo, e a receita em dólar se mostra uma vantagem competitiva na disputa por talentos globais.
O executivo destacou que a indústria de games movimenta cerca de US$ 200 bilhões por ano, e que 83% dos consumidores de jogos do mundo jogam pelo celular — um universo de cerca de 3 bilhões de pessoas. A Wildlife enxerga a inteligência artificial como uma alavanca para criar jogos ainda melhores, mas admite que o tema gera discussões internas sobre o futuro do trabalho entre seus funcionários.
A Wildlife pretende usar parte dos recursos para trazer profissionais com mais experiência internacional. Segundo Caprecci, líderes de estúdios nos Estados Unidos e na Europa têm mais de 20 anos de experiência no setor, enquanto o mercado brasileiro ainda está amadurecendo. A busca por aquisições reflete a estratégia de consolidar o setor, que ainda é muito pulverizado, seguindo a tendência global de formação de grandes conglomerados de jogos.
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